O que é o Tesouro Direto e como investir

O Tesouro Direto é um programa de venda de títulos públicos a pessoas físicas desenvolvido pelo Tesouro Nacional, em parceria com a BM&FBOVESPA.

Investir no Tesouro Direto é simples e você não precisa de muito dinheiro para começar. Essa alternativa de aplicação permite investimentos a partir de R$ 30,00, de curto, médio ou longo prazo. E o melhor: não precisa nem sair de casa, pois as transações são feitas pela Internet.

No Tesouro Direto, você mesmo gerencia seus investimentos, ao escolher os prazos e os indexadores dos títulos públicos que deseja comprar. Você também pode agendar suas aplicações com antecedência e regularidade. É uma ótima opção para quem quer investir com alta rentabilidade, segurança e liquidez.

Uma vez comprados os títulos, você receberá os rendimentos da aplicação até o vencimento do papel (data predeterminada para o resgate do título), quando os recursos são depositados em sua conta com o rendimento combinado. Mas sempre que precisar, você pode vendê-los antes de seu vencimento ao Tesouro Nacional às quartas-feiras, pelo seu valor de mercado.

As vantagens não param por aí. O rendimento da aplicação em títulos públicos é bastante competitivo se comparado com as outras aplicações financeiras de renda fixa existentes no mercado. As taxas de administração e de custódia são baixas e o Imposto de Renda só é cobrado no momento da venda, pagamento de cupom de juros ou vencimento do título.

Tipos de título no Tesouro Direto:

a) Indexados à taxa Selic

São as chamadas LFTs, título pós-fixado cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic. A não ser que a Selic comece a ter taxa nominal negativa, as LFTs sempre pagarão juros positivos.

Regra: quando a taxa Selic sobe, a LFT sobe; e quando a Selic cai, a rentabilidade das LFTs também cai.

Recomendação: Esses títulos são recomendados para investidores que precisarão do dinheiro no curto prazo – em até 2 ou 3 anos. Esses investidores precisam ter razoável previsibilidade do desempenho do papel e não podem se dar ao luxo de ter surpresas desagradáveis com uma variação da taxa de juros que diminua o valor de seus títulos. Mas não espere grandes saltos na rentabilidade das LFTs, pois ela espelha a taxa Selic. É importante acompanhar a relação entre a rentabilidade das LFTs e a da poupança, pois, em determinadas circunstâncias, a poupança pode vir a render mais que as LFTs – especialmente em investimentos de prazo inferior a dois anos, graças aos impostos e taxas vinculadas ao Tesouro Direto.

b) Prefixados

Neste grupo, estão as LTNs e NTN-Fs. A diferença entre elas é a seguinte: as NTN-Fs pagam um cupom semestral, equivalente aos juros devidos no período, ao passo que as LTNs pagam os juros apenas no momento do vencimento, junto com o valor do investimento principal. A variação da rentabilidade desses títulos é inversamente proporcional ao movimento da taxa Selic. Quando a Selic sobe, a rentabilidade deles cai. Esses títulos têm a rentabilidade prefixada, ou seja, independentemente da inflação, o investidor receberá exatamente os juros combinados no momento da compra.

Recomendação: Esses títulos são mais indicados para investidores que não têm planos urgentes para o dinheiro, acreditam que a inflação se manterá razoavelmente estável e que não haverá grandes aumentos na Selic. Se a Selic aumentar, o valor do título cairá e, por isso, a rentabilidade do investidor em períodos curtos poderá vir a ser afetada. Particularmente, não gosto muito desses títulos, pois expõem o investidor a um risco inflacionário amplo: se a inflação disparar, a rentabilidade real desses títulos é afetada irremediavelmente. Esse efeito tende a ser menor no caso das LFTs porque, quando a inflação aumenta, a Selic normalmente também é elevada para garantir uma rentabilidade real mínima nos investimentos. Por outro lado, se o investidor espera que a Selic vá cair, pode ser uma boa apostar nesses títulos, pois a rentabilidade será maior.

c) Indexados ao IPCA

Os representantes deste grupo são as minhas preferidas para o longo prazo: a NTN-B Principal e NTN-B. A diferença entre as duas é a mesma das NTN-Fs e LTNs. As NTN-Bs pagam cupons semestralmente, ao passo que as NTN-B Principal não pagam. A diferença entre as NTN-Bs e as NTN-Fs é importante para o investidor que pretende viver da renda desses títulos: as NTN-Bs pagam juros + inflação, ao passo que as NTN-Fs pagam apenas juros. Só que, evidentemente, os juros das NTN-Fs são maiores que os juros das NTN-Bs. Assim, se a rentabilidade de uma NTN-B for composta de 4% de juros e de 6% de inflação, totalizando algo em torno de 10%, serão pagos apenas os 4% de juros – e os 6% relativos à inflação serão usados para reajustar o valor do principal. Por outro lado, se os juros ajustados na NTN-Fs forem de 10%, o investidor receberá cupons equivalentes a esta taxa.

Vejamos um exemplo: um investidor decidiu investir R$ 10.000,00 em uma NTN-F que paga juros anuais de 10%, e R$ 10.000,00 em uma NTN-B que paga juros anuais de 4%, mais inflação. Digamos que a inflação do semestre seja de 3%. Ao final de um semestre, esse investidor receberia 5% do valor investido na NTN-F (R$ 500,00). Quanto à NTN-B, o capital investido seria corrigido pela inflação de 3% do período e equivaleria a R$ 10.300. Sobre este valor, seriam pagos os juros de 2% (metade dos juros anuais), ou R$ 206,00. Ou seja, a NTN-B pagaria menos da metade da NTN-F. Para fins didáticos, não computei ainda taxas de administração e impostos.

O detalhe, aqui, é que, assim como os títulos prefixados, as NTN-B e NTN-B Principal também variam de modo inversamente proporcional à variação da Selic. Ou seja, se a Selic sobe, a rentabilidade desses títulos cai e vice-versa.

Recomendação: Esses títulos são mais indicados para investidores de longo prazo. As NTN-B devem ser utilizadas por quem já acumulou um capital enorme e deseja usufruir da renda gerada por esse capital com alguma proteção do capital principal contra a inflação. Já as NTN-B Principal devem ser utilizadas por quem ainda está no processo de acumulação e não precisa da renda gerada pelo capital. Como essa renda vai ser incorporada aos títulos, o investidor ainda se beneficia dos juros compostos. Prefiro comprar, desses títulos, os de prazo mais longo e mais próximo do período em que o investidor deseja se aposentar. Por exemplo, se sua aposentadoria está programada para 2033, você deveria investir em títulos NTN-B Principal com vencimento em 2035 – prazo bem próximo do momento de utilização do valor investidor.

A alocação de ativos também pode ser importante para os que ficarem preocupados com uma correlação negativa entre a rentabilidade de seus títulos e a taxa Selic, que pode impactar negativamente no patrimônio em determinados períodos. Neste caso, você pode adotar um procedimento recomendado por Henrique Carvalho, do HC Investimentos: dividir o patrimônio entre LFTs, que têm correlação positiva com a Selic, e NTN-B (Principal ou não), que têm correlação negativa.

Simulação

Existem diversas ferramentas que permite simular o rendimento dos investimentos no tesouro direto, assim você pode calcular qual o retorno de seu dinheiro aplicado, comparando com os títulos públicos e com outros tipos de investimentos da renda fixa. No próprio site do tesouro você pode simular, mas eu particularmente gosto deste outro site que permite fazer uma simulação dos títulos do tesouro direto de forma mais completa e simples.

Fonte: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto

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