O poder dos juros compostos nos investimentos

Não é por acaso que Albert Einstein considerava os juros compostos a força mais poderosa do universo. Ela pode ser uma poderosa aliada do investidor, ou o pior dos inimigos do perdulário. Tenha os juros compostos a seu favor, e você pode fazer fortunas; a tenha contra você, e você pode se tornar miserável em pouco tempo. Nesse post, pretendo demonstrar um pouco do “poder de fogo” dos juros compostos fazendo algumas simulações de situação de investimento, modificando as condições iniciais de um investidor imaginário.

Digamos que o investidor tenha a capacidade de investir R$ 300,00 por mês durante 30 anos, a começar desse mês, com uma rentabilidade de 12,1% ao ano. Em 30 anos, são 360 meses, ou seja, ele teria investido R$ 108.000,00. Mas, por causa dos juros compostos (o famoso juros sobre juros), ele teria obtido R$ 942.871,40. Ou seja, a diferença entre o valor poupado e o valor obtido se deveu única e exclusivamente ao efeito dos juros incidindo sobre o valor investido ao longo de 30 anos. Caso a rentabilidade seja mantida, ele teria por ano mais R$ 114.087,45 (ou R$ 9.507,28 mensais). Ou seja, com apenas R$ 300,00 investidos por mês, em 30 anos ele teria um importante complemento de mais de R$ 9.000,00 por mês para sua aposentadoria, indefinidamente. E ainda poderia deixar essa renda mensal para seus filhos…

Claro, a veracidade dessa conta só pode ser atestada pelo desconto da inflação no período. Descontada uma inflação média anual de 4%, durante os 30 anos, o valor real acumulado seria de R$ 399.411,00 (e não quase um milhão). É por isso que a inflação é perigosa: ela diminui o valor do dinheiro ao longo dos anos. Mas, de qualquer modo, os R$ 9.507,28 que o investidor teria por mês equivaleriam a R$ 4.027,00, em valores de hoje — uma complementação de aposentadoria excelente!

O que acontece se o investidor tiver uma capacidade de investimento maior – digamos, R$ 4.000,00 mensais? Com uma rentabilidade de 12,1% ao ano, se ele começar do zero, ele teria acumulado ao longo de 30 anos um valor nominal de R$ 12.571.619,31! Mais de dez milhões de reais, que renderiam, por mês, mais de cem mil reais — para ser exato, R$ 126.763,83. Em valores reais, descontada a inflação de 4% ao ano, isso equivaleria a uma economia total de R$ 5.325.479,97, com uma renda mensal de R$ 53.698,59. Que boa aposentadoria!!

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Essa mesma pessoa, se não tivesse paciência e esperasse apenas 20 anos para começar a usufruir do patrimônio acumulado, teria economizado aproximadamente R$ 2.198.000,00 em termos reais (ou ou R$ 3.710.000,00 em valores nominais), o suficiente para uma renda mensal de R$ 37.412,18 (com o poder de compra de R$ 22.000,00 hoje). De qualquer modo, mais 10 anos de espera seriam suficientes para economizar mais 7.000.000,00 de reais!!! Pense: em 20 anos, são acumulados R$ 3.700.000,00; em mais dez anos, o valor acumulado chega a três vezes esse valor. Essa é a força dos juros compostos!

Quantos de nós conhecemos pessoas que ganham mais de R$ 8.000,00 (de renda familiar) e não conseguem um bom patrimônio? Se elas pudessem diminuir um pouco o padrão de consumo, hoje, em vinte ou trinta anos poderiam ter acumulado o suficiente para viver muitíssimo bem, sem nunca mais se preocupar em trabalhar ou com a previdência.

Se pensarmos na previdência pública como um “investimento”, a força da economia particular fica ainda mais  evidente. Alguém que contribui para a previdência pelo teto, paga aproximadamente R$ 308,00 por mês. Mas, ao final de 35 anos de contribuição, recebe o milionário valor de pouco mais de R$ 2.000,00. Se essa mesma pessoa, ao invés de pagar R$ 308,00 todo mês para a previdência, economizasse esse valor, poderia ter uma economia suficiente para se tornar milionário em 30 anos.

Claro, não discuto aqui a outra faceta da contribuição previdenciária — que é a de custear todo o sistema previdenciário e conferir ao empregado um seguro que custeia eventual infortúnio. Mas, se o empregado conseguir economizar o mesmo montante da contribuição previdenciária (ou seja, mais R$ 308,00 por mês), já estará fazendo o suficiente para garantir uma aposentadoria digna o suficiente para que ele aproveite a “melhor idade”.

É importante notar a diferença que a rentabilidade do investimento traz. Alguém que tenha uma rentabilidade um pouco menor, de 10% ao ano, e economize R$ 300,00 por mês, teria acumulado R$ 622.000,00 (e não os mais de R$ 900.000,00). Por outro lado, se o investidor conseguisse uma rentabilidade de 14% ao ano, teria acumulado mais de R$ 1.048.000,00!

É por isso que é importante “apimentar” as aplicações financeiras com investimentos em renda variável, como o investimento em ações. No longo prazo, esse investimento “mais arriscado” poderá fazer toda a diferença na acumulação de um grande capital.

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