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Ao contrário do que muitos possam pensar, a capacidade intelectual dos insetos não está restrita apenas ao mundo dos desenhos animados. Um estudo feito por uma equipe internacional de pesquisadores acaba de mostrar que abelhas são capazes de utilizar conceitos abstratos, como equivalência e diferença.
Os resultados, publicados na última edição da revista "Nature", apresentam novas dúvidas sobre o grau de consciência que alguns animais podem atingir. A apreensão de conceitos abstratos, por exemplo, é um campo normalmente dominado por primatas, mas que começa a ser gradualmente invadido por outros tipos animais.
"Para alguns pesquisadores, consciência é a capacidade de resolver problemas por meio de raciocínio abstrato. Eu não acho que seja só isso, mas, se for, nossas abelhas podem ser consideradas seres conscientes", diz o argentino Martin Giurfa, que atualmente conduz suas pesquisas na Universidade Paul Sabatier, França.
Seu experimento consistiu em pôr abelhas (Apis mellifera) num labirinto em forma de Y. Na entrada, os animais eram expostos a um odor específico. Depois, numa segunda câmara, escolhiam para que lado ir. Um dos lados tinha o mesmo cheiro da entrada; o outro, não.
Se a abelha escolhesse duas vezes o mesmo cheiro, era recompensada com alimento. O experimento foi repetido várias vezes, até a abelha assimilar que devia escolher o cheiro equivalente ao da entrada para ser alimentada.
Até aí, nada que um condicionamento bem feito não pudesse obter. Mas o melhor viria depois. Após serem treinadas para reconhecer cheiros e associar equivalências, as abelhas foram colocadas em um outro labirinto e expostas a placas com cores.
Usando o conhecimento adquirido com os cheiros, elas foram capazes, de cara, de optar pelas placas repetidas para encontrar o alimento. Ou seja, elas "concluíram" que deveriam seguir padrões iguais, em geral, e não somente cheiros iguais.
Os experimentos - que incluíram versões em que a abelha era premiada por escolher coisas diferentes- e a análise dos resultados levaram dois anos.
O grupo já está trabalhando na próxima fase: localizar o processo de aprendizado no cérebro da abelha. "Desenvolvemos um método para causar lesões muito específicas no cérebro dos insetos. Com isso pretendemos identificar as vias neurais envolvidas."
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