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Todos os anos são atribuídos seis Prêmios Nobel, um em cada uma das
seguintes categorias: Literatura, Física, Química, Paz, Economia, e Psicologia
e Medicina. Estranhamente, a Matemática está fora desta lista! A razão desta
distinta ausência tem sido objeto de muitas especulações, algumas das quais
serão apresentadas a seguir.
Uma das mais comuns - e infundadas – razões de Nobel ter decidido não atribuir
um prêmio à Matemática tem a ver com uma mulher a quem ele se terá
declarado para que fosse sua esposa ou amante. Ela tê-lo-ia recusado em
detrimento de um matemático famoso (ou tê-lo-ia traído com este). O matemático
sueco Gösta Mittag-Leffler (1846-1927) é muitas vezes indicado como
sendo a parte culposa. Não há evidências históricas que apoiem tal afirmação.
Em primeiro lugar, o Sr. Nobel nunca casou e além disso há motivos mais
credíveis para não haver Prêmio Nobel para a Matemática. Talvez o
mais válido entre eles seja o simples fato de ele não dar muita importância
à Matemática e de esta não ser considerada uma ciência prática da qual a
humanidade pudesse beneficiar (o principal motivo da criação da Fundação
Nobel). Mas há aqui outros fatos relevantes:
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Nobel nunca casou, portanto não há "esposa". Ele teve realmente uma amante, uma vienense chamada Sophie Hess.
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Gösta Mittag-Leffler foi um matemático
importante na Suécia nos finais do século XIX, princípios do século
XX. Foi o fundador do jornal Acta Mathematica, desempenhou um papel
importante na carreira de Sonya Kovalevskaya e chegou a estar à frente
da Stockholm Hogskola, precursora da Universidade de Estocolmo. Contudo,
parece altamente improvável que ele tivesse sido um grande candidato
para um Prêmio Nobel da Matemática se o houvesse – até porque
havia, na mesma época, matemáticos como Poincaré e Hilbert.
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Não há evidências de que Mittag-Leffler
tivesse muito contato com Alfred Nobel (que morou em Paris nos últimos
tempos da sua vida) e muito menos que houvesse inimizade entre eles
por qualquer razão. Pelo contrário, perto do final da vida de Nobel,
Mittag-Leffler esteve envolvido em negociações diplomáticas para tentar
persuadi-lo a legar parte da sua fortuna à Hogskola. É difícil de acreditar
que ele o tivesse tentado se, à priori, existissem problemas entre eles.
E parece que, inicialmente, Nobel teve intenção de seguir este conselho.
Depois, deve ter-lhe ocorrido a idéia do Prêmio Nobel -
para grande desgosto da Hogskola (para não falar no dos parentes de
Nobel e da senhora Hess). De acordo com um interessante estudo de Elisabeth
Crawford, "O começo da Instituição Nobel", Cambridge Univ. Press, 1984,
páginas 52-53: "Apesar de não se saber como é que os responsáveis de
Hogskola acreditaram que uma grande doação estaria para chegar, esta
era realmente a expectativa, e a desilusão foi enorme quando se anunciou
em 1897 que Hogskola tinha sido deixada de fora do testamento final
de Nobel em 1895. Seguiram-se recriminações com Pettersson e Arrhenius
(rivais acadêmicos deMittag-Leffler na Administração de Hogskola)
a divulgarem que a antipatia de Nobel por Mittag-Leffler tinha terminado
no que eles chamaram o "Nobel com Asas"
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Uma última especulação é do foro
psicológico: será que Nobel, ao escrever o seu testamento, presumivelmente
repleto de grande benevolência para com a humanidade, se teria permitido
a este acto de má vontade, só para distorcer os seus planos idealistas
para o monumento que ele iria deixar? Nobel, inventor e industrial,
não criou um prêmio para a Matemática simplesmente porque não
se interessava por ciências teóricas. O seu testamento falava de prêmios
para aquelas "invenções e descobertas" de grande benefício prático para
a humanidade. Contudo, a versão das rivalidades por causa de uma mulher
é, obviamente, muito mais divertida e, por isso, irá continuar a transmitir-se.
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Nota:
Para não ficarem fora da festa dos Grandes Prêmios, os matemáticos
do mundo decidiram lutar. No Congresso Internacional de Matemáticos(ICM)
realizado em Toronto (Canadá), em 1924, foi decidido que em cada nova sessão
do Congresso seriam atribuídas duas medalhas de ouro para reconhecer grandes
feitos matemáticos.
Referências:
Sci.math USENET newsgroup's FAQ list.
Mathematical Intelligencer, vol. 7 (3), 1985, p. 74.
Elisabeth Crawford, ``The Beginnings of the Nobel Institution'',Cambridge Univ.
Press, 1984.
www.nobelprizes.com
Fonte:
Associação dos Professores de Matemática
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